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TEXTOS E ESCRITOS >>O celular e as pipocas
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O CELULAR E AS PIPOCAS

O que um Padre, um Espírita e um Ioga podem contribuir na formação de um Executivo, em um mundo cada vez mais tecnológico e virtual? O que Cozinheiras, Baianas de acarajé e Pescadores podem ensinar aos profissionais de RH?

Foi este desafio que coube a nós da ABRH, Seccional Bahia, ao sediarmos a 1ª Missão Brasileira de Recursos Humanos em 2001, quando o nosso Presidente Carlos Pessoa apresentou um Talkshow com Dinha e Dadá. Houve alguma resistência inicial: "O que nós vamos aprender com elas?" Felizmente não desistimos da nossa idéia e mantivemos o quadro. O sucesso foi tão grande, que este painel já se repetiu em dezenas de empresas, algumas multinacionais, bem como em outros Congressos como o Fórum de RH. Na mesma linha, o renomado Consultor César Souza coordenou um debate de grande repercussão com Dadá e Zé Pescador, da Ilha de Itaparica, no maior evento da América Latina, o CONARH 2002.

O que estas pessoas simples nos mostram é que temos que ser globais sem perdermos nossas origens, e que as suas histórias de vida nos ensinam coisas que os livros não falam. Elas não conhecem teorias, mas fazem diferença por suas atitudes e por sua louca vontade de mudar o triste destino que a vida lhes reservara, quase que fatalisticamente. Além disso, falam fácil, sem tentar impressionar com palavras complicadas, como se estivessem a conversar na varanda de casa.

Este ano, a 2ª Missão Brasileira de Recursos Humanos * inova mais uma vez, escalando três espiritualistas de correntes diversas, embora com o mesmo destino, já que todos os caminhos levam ao alto. Eles nos despertarão para a visão de que a harmonia e a felicidade nas Empresas levam ao aumento do lucro, e que o amor é o melhor ingrediente para um trabalho bem feito.

A presença deste painel ao lado de visitas à moderna Fábrica da Ford em Camaçari e ao complexo de Costa do Sauípe, bem como de Apresentação de Palestras e Cases, fazem da Missão um evento diferente, sempre com o objetivo de gerar massa crítica e provocar um saudável questionamento nos participantes de como ser tecnológico sem perder a humanidade.

E não é por acaso que este evento acontece na Bahia, lugar com know-how em misturas, como a do sagrado e do profano (visto as festas de largo) e do candomblé com o catolicismo (padres freqüentam terreiros e mães de santo fazem promessa e atendem em portas de igrejas).

Outro dia, como bom baiano, fui assistir a uma missa em São Lázaro, uma das 365 igrejas da Bahia, quando resolvi "fechar o corpo contra maus olhados" tomando um Banho de Pipoca com Vera, uma das inúmeras Ialorixás que dão plantão no lugar. Eis, que no meio da reza, o celular tocou. Pensei que deveria tê-lo desligado para não atrapalhar hora tão sagrada, quando para meu espanto, vi que não era o meu. Aí, estupefato, vejo Vera tirar de dentro de suas roupas de Mãe de Santo um celular último modelo, dizendo que estava esperando uma ligação urgente de um Cliente. Neste momento, ela sem saber, me proporcionou uma cena antológica que vai ficar marcada para sempre em minha memória. Estava com uma mão na pipoca e a outra no celular, mão no passado e no futuro, mão na razão e a outra na alma, juntas como mundos integrados a nos dizerem que é possível conviver com a diversidade, afinal, Deus está nos dois.

* Visite site www.abrhba.com.br/mbrh2002

Victoriano Garrido Filho
Diretor de Educação Corporativa da ABRH-BA
E-mail: garrido@vgarrido.com.br














 
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