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TEXTOS E ESCRITOS >> Garrincha, o Marketing e o RH
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GARRINCHA, O MARKETING E O RH

A propaganda brasileira é uma das melhores do mundo e os nossos publicitários são verdadeiros craques da comunicação. Com suas geniais peças, acabam produzindo uma idílica visão. Nela, vemos Gerentes de banco solidários emprestando dinheiro com facilidade(?), Pilotos e Aeromoças sorridentes, atendentes solícitos que se desdobram em atenção e contatos telefônicos sem "musiquinha".

Aliado a este mundo de glamour e purpurina, há muitas vezes um mundo preto e branco, composto de burocracias injustificadas, filas intermináveis, pessoas mal humoradas, contradições e "frases feitas", pronunciadas sem sentido. Quem não viveu um dia a esdrúxula situação de que após uma intensa discussão com uma atentende por telefone, ela desliga repetindo mecanicamente que foi um prazer atende-lo e se há o desejo de algo mais.

Entre estes dois cenários, acontece a vida corporativa. De um lado, o marketing da aparência, da criação publicitária, o show da propaganda! Do outro lado o marketing da atitude, o momento da verdade.

É quando entram as pessoas, para colocar ou não a alma no que era um simples anúncio comercial. Como diz Jean Carlzon, no seu ótimo livro "A Hora da Verdade", antes atrás de cada pessoa havia um cliente, hoje atrás de cada cliente há uma pessoa, um ser humano único e especial.

Vivemos uma contradição no mundo do trabalho. O brasileiro é anfitrião no social e no corporativo atende mal. Tem uma incrível capacidade receber. Quem foi visitar um amigo e ele não se desdobrou em atenção? Foi buscar uma cerveja no bar da esquina, mesmo que assinando a "caderneta". O curioso é que esta mesma pessoa no trabalho se transforma. Penso que é porque ali ela não se sente parte da organização e a gente não pode receber bem, aonde não nos sentimos dono da casa.

Outro cuidado é com o perfil das pessoas da linha de frente. No mundo, temos pessoas que nasceram para servir e outras para serem servidas. E com estas, o treinamento não corrige a falha do recrutamento. Tenho observado também que este aspecto não tem relação direta com o cargo nem função. Existem Diretores e Gerentes vocacionados para o serviço e pessoas simples na sociedade, com pose e empáfia de Príncipes. Verdadeiras "Primadonas de Chinelo".

Conta o folclore do futebol que Garrincha estava recebendo instruções do seu técnico para driblar o lateral, passar pelo zaqueiro e cruzar para o gol, quando na sua genial ingenuidade perguntou, "O senhor já combinou isto com a defesa deles?" Para que a propaganda tenha coerência e não seja, apenas, peças "bonitas" e premiáveis, é preciso unir o Marketing e o RH das empresas, colocar o personagem da ficcão para combinar a jogada com o personagem da realidade. Aí então, poderemos nos maravilhar com a nossa publicidade em paz, sem ficar com raiva no atendimento seguinte.

Victoriano Garrido Filho
Diretor de Educação corporativa da ABRH




















 
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