A DOR E A DELICIA DE IR À PRAIA
Menino
criado na beira do mar, desde cedo elegi a ida à
praia como minha diversão preferida, opção
que mantenho até hoje. Naqueles bons tempos,
as crianças não tinham vídeo
game nem computador para mantê-las "sitiadas"
em casa.
Estava
caminhando na praia, quando, só para matar
o tempo, resolvi observar em volta. Passei por pessoas
que levam cachorros para a praia, apesar da lei
municipal que proíbe e que ninguém
liga! Vi então o lado ruim de se morar em
um lugar onde não se pratica a cidadania.
Não pensem que vi gente mal informada ou
de baixo nível social. São famílias
de "bacanas", brincando com seus "Inocentes"
cachorrinhos, contaminando tudo ou então
rapazes sarados, levando, orgulhosos, seus cães
ferozes, como se fossem uma espécie de troféu,
pela sua falta de educação.
Passei
por muitas "peladas" e pude driblar várias
boladas e varias bolinhas de frescobol, arremessadas
com a força de um míssil (O Iraque
é aqui e agora!). Afinal, quem dá
bola para o direito do outro? Em um destes, os jogadores
estavam de camisa de time e tinha até Juiz
(?). Na hora que olhei, vi uma cena antológica.
O zagueiro havia cometido uma tremenda falta no
atacante e o juiz correu para ele e, pasmem, tirou
do bolso um cartão amarelo. Que deliciosa
comédia, às vezes, é a vida...
Vi
também que a praia é hoje um dos maiores
"Shoppings" a céu aberto. Vendedores
de queijo coalho, roupas, redes e bebidas se misturam
com vendedores de cocos, ovos de codorna e de CDs.
Outra cena patética! O vendedor ao ser questionado
pelo genérico de determinada Banda, disse
que não tinha no momento, mas que ia buscar
na "matriz". Quase vou atrás para
ver isto de perto!
Registro
também os fumadores de "baseado",
que aproveitando o clima de tanta impunidade, resolvem
tirar sua lasquinha, ou melhor, sua tragadinha,
sem a menor cerimônia. Que diferença
dos fumantes da época da Barra, que iam se
esconder atrás das pedras.
Então,
minha vista vai para o mar e a vista do mar, como
que por um encanto, faz com que aquela cena toda
perca o sentido e a importância. Então
percebi que quando a gente olha com os olhos do
mar, pode apreciar o povo se divertindo com pouco
dinheiro, num dos centros de lazer mais socializados
do planeta, pode ver crianças brincando de
verdade, livremente, como que a esquecer por horas,
do mundo virtual dos games e pode também
admirar a beleza do nosso povo, as nossas fantásticas
mulheres!
E
aí, apreciando aquele cenário dourado,
onde brancos e pretos, pobres e ricos, convivem
igualmente, sob as bênçãos de
Yemanjá, no reino do sol, pude concluir...
O
que seria da praia, se não fosse a vista
do mar.
Victoriano
Garrido Filho
Diretor de Educação Corporativa da
ABRH-BA
www.vgarrido.com.br