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TEXTOS E ESCRITOS >> Do jeito bahiano de ser..
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DO JEITO BAIANO DE SER...

Se como dizem, "baiano não nasce, estréia", protagonizei o meu primeiro ato no final da década de cinqüenta, em uma casa defronte às escadarias do paço, vindo ao mundo pelas mãos de Jandira, uma Parteira experiente, que nessa época, só figurão tinha filho em hospital. Contam que nessa madrugada, meu pai, um Espanhol da Galícia que também adotou esta terra, saiu andando até o Bonfim para dar a boa nova a uns parentes que moravam por lá. Que inveja sinto destes tempos, quando sei que hoje, um simples toque do celular substituiria aquela excitante caminhada.

O menino do Carmo cresceu e visitou vários lugares, mas devo confessar que em relação aos baianos, sou um passional confesso. Falo isto sem medo de ser visto como bairrista, por acreditar que ser baiano, antes de ser a denominação de alguém que nasce em um determinado Estado, é um Estado de Espírito, ou seja, ser baiano, antes de ser uma mera perspectiva geográfica, é um jeito de ser e de encarar o mundo.

Talvez isto explique o fato de termos tantos "baianos" que não nasceram na Bahia, como Vinícius de Moraes, Juca Chaves e até baianos estrangeiros como Pierre Verger, o mais baiano dos franceses, sem falar no baianíssimo mestre Caribé, um Argentino com alma baiana.

Ser baiano é trabalhar muito, enquanto acham que ele não faz nada. Um pouco como definiu Carlinhos Brown, "o baiano é como um avião no céu, parece que está parado, mas está a dez mil milhas por hora".

Louvável também sua capacidade de gerar lazer para os outros e de se divertir, mesmo com pouco dinheiro, como o exemplo das divertidas incursões às praias, sua animação nas festas de largo, culminando com o carnaval, aonde só não vai quem já morreu, como bem disse Caetano. A classe operária vai ao paraíso!

E tem as mulheres! Um capítulo à parte, já que toda menina baiana tem um jeito que Deus dá. Belíssimas, desde que Ari Barroso encontrou a morena mais frajola, na Baixa dos Sapateiros, a qualidade das baianas só tem melhorado.Também são guerreiras e voluntariosas. Irmã Dulce, Maria Quitéria e Mãe Menininha nasceram na Bahia.

Povo hospitaleiro e plural. Dá exemplo de diversidade ao acolher o novo sem desprezar o sagrado, como ensina Mãe Vera, Ialorixá que faz ponto na porta da Igreja de São Lázaro (coisas da Bahia), que dá banho de pipoca nos devotos com uma mão e com a outra dá conselhos falando no celular. O candomblé se rendendo a tecnologia!

Então, se você é baiano de nascença ou baiano adotado, pouco importa. Afinal, somos todos abençoados pelos orixás da Bahia e pelo mais baiano de todos os santos, o Nosso Senhor do Bonfim.


Victoriano Garrido Filho
www.vgarrido.com.br















 
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