UM
CASAMENTO PARA LEMBRAR PARA SEMPRE
Era
para ser uma festa de arromba. Adriana teve a idéia
de fazer do seu aniversário um baile à
fantasia. O evento, antes de acontecer, já
movimentava as lojas de aluguel da cidade, com as
pessoas à sua maneira, querendo dar asas
a seus sonhos e desejos escondidos. É engraçado
como ficamos quando colocamos uma fantasia. A gente
acha graça e sorri, mas no fundo nos sentimos
livres da nossa máscara social, do nosso
manjado personagem do cotidiano.
Tinha
de tudo na festa, personagens históricos,
figuras dos desenhos animados, do nosso folclore,
numa mistura de cores e trajes. Uma noite que caminhava
divertida, embora previsível, tudo que se
espera de um baile de fantasias entre amigos que
se querem bem.
Então,
de repente, um clima de mistério e suspense
paira no ar. Algumas pessoas correm pelo salão,
os anfitriões somem, o clima fica de expectativa,
aparece um desconhecido vestido de padre, será
que é fantasia ou real? A grande surpresa
é anunciada pelo noivo. Aquele animado baile
de fantasias iria virar palco e cenário de
um casamento. Uma belíssima capela surgiu
de repente, como nos contos de fada, repletas de
inusitadas figuras, onde não faltaram santos,
anjos e orixás, Deus vive na diversidade.
O
padre foi um capítulo à parte e, totalmente
em sintonia com a ocasião, brincou falando
coisas sérias, como da importância
do amor, da paternidade responsável e das
contradições da igreja. Um padre como
Deus desejou que fossem seus representantes, que
não perdeu o rebolado nem quando tomou choque
com a caneta encantada. Coisas de um "pai de
santo" estilizado e de um "franciscano"
brincalhão. Deus vive na alegria.
E
aí vivemos um dia, na nossa sociedade do
espetáculo e da aparência, que a ordem
das coisas foi deliciosamente pervertida. Onde os
noivos em vez de receber presentinhos de inox, foi
quem nos presenteou com uma cerimônia mágica.
Onde em vez do "casai e multiplicai" o
filho já estava presente, abençoando
a relação e recebendo o maior presente
que os pais podem dar aos seus filhos e que vale
por mil discursos chatos, que é o seu exemplo.
Onde em vez das pessoas gastarem fortunas em roupas
desconfortáveis, de uma moda que alguém
ditou, estavam lindamente vestidas com o manto da
emoção e da felicidade. E onde também,
o que menos contou foi o papel, pois eles já
estavam "casados" desde a hora em que
escolheram viver em comunhão.
Imagino
que Deus devia estar olhando de cima e se divertindo
também. Se sentindo em casa, naquela igreja
como idealizou que elas fossem, ricas de humanidade
compartilhada em vez de ouro e com seus filhos felizes
e livres das convenções. E talvez
estivesse pensando "foi isso que sonhei para
eles".
Obrigado
Shefic e Adriana pela grande lição
e pelo momento que nos proporcionaram, um casamento
para lembrar para sempre.
Homenagem
do Contista Victor, ao casal Shefic e Adriana, no
dia do seu fantástico casamento.
Salvador, 15/01/2005.