ZOOLÓGICO
HUMANO
Uma
das lembranças que guardo com mais carinho
da infância dos meus filhos são as
visitas ao Jardim Zoológico. Quem não
curte observar a alegria e o contentamento de uma
criança ao ver os animais naquele lugar encantado,
onde até as cobras são simpáticas,
ver a força e imponência de animais
como o leão, o tigre e a onça, a exuberância
da zebra e os movimentos dos macacos.
Assistindo
a trechos do reality show de maior sucesso da TV
brasileira no momento , não pude resistir
a comparação. Ali, expostos à
vista de milhares de pessoas, através de
uma jaula virtual, que chamamos de televisor, pobres
animais racionais tentam fazer macaquices, valer
sua autoridade, fazer graça e mostrar sua
beleza (Patético).
Em
uma total invasão de privacidade, submetidos
a situações extremas de estresse,
humilhação, competição
e desespero, nossos bichos humanos choram, xingam
e se descabelam, tudo para diversão ( ???
) do público, que assim vê legitimado
seu desejo proibido de observar a vida alheia. Como
reclamar agora com nossos filhos para não
bisbilhotarem os outros ?
Em
noite de decisão se o "Bem" ia
derrotar o "Mal" Parou o País,
com a fantástica marca de 30 milhões
de pessoas que pagaram para votar. Fico pensando
se tivéssemos este mesmo poder de mobilização
para coisas sérias e fundamentais a nossa
cidadania? Ninguém segurava este País.
Sugiro inclusive colocar a final deste BBB para
o turno do dia e declarar feriado nacional em homenagem
a bisbilhotice.
O
mais intrigante da situação é
que o fato deve ser um prato cheio para estudos
dos sociólogos de plantão, é
como se uma ficção que tanto nos atemorizou
no passado, na primorosa obra "1984" de
George Orwell , pudesse hoje nos seduzir tanto.
Outra contradição é que o programa
desestimula a cooperação e o espírito
de equipe, valores essenciais para a formação
de uma sociedade mais justa.
Agora,
voltando à comparação inicial,
quero dizer que sou mais o zoológico original.
Afinal, há uma nobre diferença: Os
bichos de lá não se exibem por dinheiro.