O VERDADEIRO ENCONTRO
Tudo começou quando encontrei
um ex-colega "Você vai ao nosso jantar
de comemoração dos 28 anos, que concluímos
o segundo grau no Vieira? "Tomei um susto!"
Como o tempo pode passar deste jeito, sem cerimônia
e sem aviso prévio e a gente nem se dar conta?".
Depois de digerida a notícia,
veio a expectativa da semana. Tentei alertar meus
filhos para viverem o momento presente, de como
a vida é rápida, mesmo sabendo que
eles teriam que descobrir isto sozinhos. Vivi também
a expectativa da espera. Claro que um colega ou
outro, a gente acaba encontrando, mas haveria gente
lá que eu tinha visto com 17 e iria ver agora
com 45 anos. Que coisa doida a vida e a sua relação
com o tempo!
Cheguei meio emocionado, como quem
vai ao encontro de sua história. As lembranças
iam chegando de mansinho, colegas que nem lembravam
que eu existia e outros que vinham ao meu encontro
com um sorriso generoso, para meu deleite. Como
é forte a necessidade do ser humano de pertencer
e ser reconhecido como membro de um grupo e ao mesmo
tempo se sentir único e especial.
Que mudança! Ontem éramos
jovens, nos sentíamos "donos do mundo"
e hoje fomos transformados em distintos pais de
família, como a confirmar aquela música
do Legião Urbana "Somos iguais aos nossos
pais". Nomes pomposos de executivos poderosos,
médicos de renome e outros profissionais
de valor, resumidos, por uma noite, a engraçados
apelidos. Um que eu chamei pelo nome, me corrigiu
no ato, exigindo o direito de ser chamado pelo codinome
que o apelidávamos na época.
Foi uma noite para ficar na história,
noite de rever antigos colegas, o amor platônico
que me deixava sem ar, mas o verdadeiro encontro
ainda estava para acontecer e nem tinha caído
a ficha para mim ainda. O verdadeiro encontro que
teria era comigo mesmo, como a confirmar a frase
de Osho "A cada tempo a gente é um".
E neste encontro meio que prestação
de contas, do meu verão com meu outono, pude
então confrontar sonhos e as dores e as delícias
de minhas escolhas. E ai, cara a cara, pude perguntar
para meu passado "Gostou no que se transformou?"
Para até ter humildade de dizer "Se
não, desculpe! Foi o melhor que pude fazer".
Ainda bem que temos, eu e meus colegas,
pelo menos teoricamente, mais 28 anos. Que possamos,
então, continuar nossa caminhada, integrando
estas duas personalidades, entendendo que nesta
diversidade reside nossa beleza e que, apesar das
distrações e dos supérfluos
que a vida nos apresenta, possamos ser fiéis
a aquilo que sempre nos é essencial em qualquer
fase da vida, ser feliz.
Victoriano Garrido Filho
www.vgarrido.com.br
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