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TEXTOS E ESCRITOS >> O padre eo astronauta
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O PADRE E O ASTRONAUTA
“A sociedade necessita do saudável arejamento dos dissidentes”
Marilyn Ferguson – “Do livro A Conspiração Aquariana”


Eu tinha dez anos quando o homem foi à Lua. Era o ano de 1969 e me lembro que o feito causou uma grande comoção lá em casa, com meu pai andando de um lado para o outro com o jornal na mão e minha avó falando que era mentira dos americanos para enrolar a gente.

Três décadas se passaram e chegamos ao espaço. O astronauta Marcos Pontes, virou pop star. Através de uma aventura que nos custou dez milhões de dólares, ele plantou feijão, se vestiu de Santos Dumond e vem dando muitas entrevistas a televisão, com direito a falar com o Presidente e aparição no fantástico. Virou Um astronauta camarada.

Padre Pinto também ganhou fama, ele que sempre divertiu seus fiéis com controladas peraltices, perdeu as medidas e resolveu folclorizar o seu estilo. Aproveitando seu status de Artista Plástico e Bailarino, celebrou missa vestido de orixá, se pintou de índio, usou maquiagem e vem dando muitas entrevistas, com direito a aparição em programas nacionais e a “selinho” em Caetano. Virou um padre anarquista.

Estão tendo os seus quinze minutos de fama, sugados pela mídia e rotulados pela nossa velha cultura maniqueísta, que fabrica heróis e anti-heróis. O Astronauta bonzinho que encanta criancinhas e o Sacerdote malvado que inferniza os conservadores.

Acho que a aparição dos dois nos remete à reflexão da nossa contradição humana, da nossa potencialidade para sermos santos e pecadores. De que nada é absoluto e tudo depende das nossas crenças. O feito do astronauta é espetacular, digno de todas as homenagens, mas pode ser usado como massa de manobra e fato eleitoreiro. O deslumbramento do padre é exagerado, inadequado muitas vezes, mas pode nos servir como exercício de tolerância, preocupação com as minorias e aceitar o diferente.

Numa sociedade plural, precisamos de heróis e de dissidentes, para que formemos o nosso referencial de valores, para aprendermos com o exemplo e com o contra exemplo, gerarmos massa critica e criarmos nossa matriz de comportamento. Precisamos respeitar as opções e celebrar a diversidade, até porque como diz nosso genial poeta Raul Seixas “O que eu como a prato pleno pode ser o seu veneno”.

Por isso que penso que julgar é arriscado, “Atire a primeira pedra”. O fundamental é entender a nossa dualidade, o bem e o mal convivem em nós. Deus e o Diabo na terra do sol!

Vitoriana Garrido Filho
www.vgarrido.com.br
71 99640626





 
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