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TEXTOS E ESCRITOS >> Nosso mais sublime ofício
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NOSSO MAIS SUBLIME OFÍCIO

“Gente não nasce pronta e
vai se gastando. Gente nasce não pronta e vai se fazendo”.
Mário Sérgio Cortella


Ser pai não é um cargo que somos nomeados na vida, nem tampouco algo que a gente assuma numa epoca que não temos muito o que fazer. Ser pai é função permanente. Função que jamais podemos nos demitir. Somos ex-marido, mas jamais somos ex-pai. É talvez a mais nobre tarefa que possamos assumir na terra, cuidar de um ser e levar a humanidade até mais longe, numa espécie de corrida de revezamento, já experimentada por nossos antepassados. Missão que exercemos sem manual de instrução, nem tampouco treinamento, usando o método tentativa e erro.

Então, em homenagem a nosso mês, resolvi discorrer sobre as dez atitudes para o pai nota 10, que vai servir até para mim, pois ensinamos aquilo que mais precisamos aprender.

Primeiro trate bem o seu pequeno cientista. O ser humano nasce com enormes potencialidades que podem ser bloqueadas, a depender do seu processo de socialização. Se vigie para não impor seus gostos e vontades e sim valores perenes. É como diz o genial Raul Seixas “O que como a prato pleno pode ser o seu veneno”.

Na loucura do tempo que vivemos, se dedique ao papel de pai, muito mais preocupado com a qualidade deste tempo do que com a quantidade. Quem não conhece aquele pai que saiu com o filho no sábado e foi no açougue, beber com os amigos, visitar a mãe e consertar o carro e de noite dormiu tranqüilo, pois passou o dia com o seu pequeno.

Preserve também a auto-estima de seu filho, pois ela será fundamental nos relacionamentos que ele irá travar mundo afora. Lembre-se desta regra básica “Elogio em público e crítica em particular” e, sobretudo, valorize seu tesouro, não caindo na tentação da comparação “a galinha do vizinho é melhor”. Pense que seu vizinho está dizendo a mesma coisa.

Se relacione sempre com empatia, acredite, por mais difícil que seja, que você não nasceu agora e que já teve 10, 15, 18 anos. Se comunique sempre com verdade amor e procure ouvir o que seu filho não fala com palavras, mas grita em atitudes e gestos. Incentive a criatividade de seu filho e tolere o erro aprendizado. Saiba que quanto mais ele errar no acolhedor laboratório que é sua casa, menos errará na rua e valorize sempre as brincadeiras ao ar livre e de verdade. Hoje, os meninos jogam até gude (?) pela internet e são craques de bola no play station. Veja se você não concorda que o prazer que na infância você tinha nas peladas de golzinho, jamais pode ser comparado ao jogo eletrônico mais genial que o japonês inventou. Lembre-se também que o melhor brinquedo para filho é pai.

Persista no seu nobre ofício. Ser pai é educar por repetição, é dar afeto, orientação e limites o tempo todo, é sempre recomeçar com uma nova lição, estando sempre vigilante ao exemplo que é o melhor professor. E, sobretudo, estar alerta para o jogo da culpa e das compensações que ela provoca. “Me dê o supérfluo que eu esqueço o essencial”.

Por fim, Relaxe entendendo que a gente sempre vai produzir estragos em nossos filhos, que os psicólogos estão aí para isso, mas se conscientize que você está se pondo à prova de uma das mais bonitas formas de amor que já tivemos notícia, o amor incondicional, e que experimentá-lo é conectar a nossa divindade e exercer, diante de tantos papéis sociais transitórios que temos, o nosso mais sublime ofício. Ser pai, até sendo mãe quando precisa.

Victoriano Garrido Filho
Pai de Maíbe (19) e Victor Gabriel (13)
www.vgarrido.com.br
719964-0626









 
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