EU E MEU FILHO BEL
“Recordar é viver; eu ontem sonhei com
você”.
Aldacir Louro, Marchinha de carnaval / 55.
Sou louco por cinema! É um caso de amor explícito,
que me reserva sempre grandes encontros, como o que
tive no último final de semana, com o excelente
filme “O ano em que meus pais saíram
de férias”, onde pude entrar numa espécie
de túnel do tempo.
O
filme aborda a história de um menino que,
aos doze anos, é deixado na casa do avô,
numa comunidade judaica em São Paulo, enquanto
os pais estão na clandestinidade. Na fita,
são misturadas, com muito lirismo e poesia,
passagens da época da ditadura militar com
cenas dos jogos do Brasil na Copa do Mundo de setenta.
Por
coincidência, eu tinha a mesma idade nesta
época e pude me lembrar de cada gol, bem
como das marchinhas ufanistas da época “Noventa
milhões em ação, pra frente
Brasil do meu coração”. Recordei
detalhes, como no jogo final, quando meu pai colou
a bandeira do Brasil que veio no jornal A Tarde,
no capô de nossa Rural e fomos para casa de
uma tia que morava no Canela. Durante todo o filme,
foi inevitável a comparação
daquele meu mundo de menino, com o mundo de hoje
de meu filho, também nessa faixa de idade.
É a dança da vida, cada vez mais cíclica!
Inevitável
lembrar de nossa velha TV Philco, consertada de
tempos em tempos pelos técnicos da Rádio
City, onde muitas vezes eu, com meu cabelo pimpão,
tinha que fazer o papel de controle remoto. A TV
que passava programas como “Um Instante Maestro”,
com Flávio Cavalcanti, nem de longe se parecia
com as maravilhosas TVs de plasma de hoje. Vivíamos
em um mundo analógico, sem celulares, internet
e brinquedos eletrônicos. O nosso universo
de criança era composto por bolinhas de gudes,
arraias e ioiôs.
Época
de aprender a usar a máquina de escrever,
ouvir música na radiola com disco de vinil
e falar no telefone da Tebasa. De fazer compras
na Rua Chile, com direito a Bolinho da Cubana e
Coco Espumante da Loja Duas Américas. Tempo
de passear domingo no Aeroporto para ver os aviões
Cruzeiro do Sul, de tomar Grapette e Mirinda, de
ir para o Campo da Graça ver o clássico
Galícia e Ypiranga e brincar o carnaval no
Centro Espanhol, nas ondas de “Corre Lambretinha”!
Saí
do Multiplex, que também em nada lembra o
cinema Guarany, onde assisti estarrecido aos filmes
Tubarão e Inferno na torre, com uma idéia.
Trazer meu filho para ver o filme e conhecer o mundo
da minha infância. Então, se ele me
perguntar “Pai, o que não mudou então?”,
eu falarei para ele as minhas quatro verdades. A
primeira que apesar da invenção do
play station e outras quinquilharias eletrônicas,
o melhor brinquedo de filho continua sendo pai,
a segunda que o amor nunca sai de moda, a terceira
que recordar é viver e a ultima que apesar
de tanta opção virtual, a melhor companhia
continua sendo gente.
Gente
como você que esta lendo esse artigo agora
e a quem eu faço um convite, embarque também
no seu túnel do tempo e se reinvente. Afinal,
como diz o genial historiador Cid Teixeira, aquele
que não conhece a sua história está
fadado a repeti-la!
Boa
viagem para você! Nos encontraremos para fazer
o amanhã!
Victoriano Garrido Filho
www.professorgarrido.com.br
7199640626