UM NATAL ESSENCIAL
“Que
o Natal existe, que ninguém é triste,
que no mundo há sempre amor.
Bom Natal, um feliz Natal, muito amor e paz, pra
você.
Pra você” .
Quando
eu era criança, vi uma charge na revista
Manchete que nunca me saiu da cabeça. Nela
havia um primeiro quadro que representava o dia
de natal, onde víamos uma idílica
visão, crianças brincando alegres,
carros parando na faixa esperando a passagem de
velhinhas e uma dona de casa dando comida a um mendigo.
No quadro que se seguia, outra cena representava
o dia seguinte, com meninos brigando, carros atropelando
velhinhas e mendigos passando fome. Então,
eu ali menino, tive minha primeira informação
de que nem todo natal tem o espírito de natal.
Temos
o natal mercantilista das compras. Não é
por acaso que a roupa de Papai Noel vermelha e branca
foi inspirada numa campanha publicitaria da coca
cola. Querem maior símbolo do capitalismo
que a coca? É no natal onde nos endividamos
para cumprirmos o que a propaganda nos impõe.
É um bombardeio de ofertas “imperdíveis”!
A coisa só não é pior porque
o brasileiro, genial como sempre, difundiu a instituição
do amigo secreto e o natal das lembrancinhas. Grande
sacada!
Temos
também o natal da comilança, onde
a classe média e alta vai ao paraíso,
invadindo com volúpia delicatessens de luxo,
verdadeiros templos da nossa burguesia, em busca
de guloseimas e bebidas para a ceia. Época
que se perdoa comer e beber muito, que chutamos
sem culpa o chato regime e que ainda nos propicia
praticarmos “responsabilidade social”,
dando a comida que sobrou para o porteiro.
Também
não podemos esquecer do natal da hipocrisia,
quando aplacamos a nossa consciência, visitando
os pais e dando presente caro aos filhos, além
de fingirmos que fazemos as pazes com quem não
nos damos bem, nem que seja para brigarmos de novo
no dia 26.
Mas
o natal é muito mais que isso. Muito mais
do que presente, comida e convenções!
A sua essência é muito mais que este
natal do supérfluo, que nos diverte e nos
distrai.
O
natal é uma rica oportunidade de, assim como
Cristo, renascermos para fazer diferente, sentir
e viver o propósito cristão que está
dentro de nós. Época de expandir nosso
estado de consciência e nossa responsabilidade
com o planeta e com as pessoas.
Época
de se comprometer com a gente, de se celebrar, de
ser mais inteiro e presente e menos dividido e virtual.
De praticar o contentamento e o recolhimento, em
vez da euforia e da superficialidade das relações.
De se praticar a humanidade compartilhada! De se
ter enfim um natal essencial!
Um Feliz Natal para você, Buon Natale, Merry
Christmas, Feliz Navidad, Joyeux Noel, Frohliche
Weihnachten. Afinal, parafraseando São Paulo,
mesmo que eu desejasse um feliz natal nas diversas
línguas dos homens, sem amor este natal de
nada valeria.
Victoriano Garrido Filho / www.professorgarrido.com.br
/ 7199640626