Que Tropa! E que Elite!
Finalmente fui assistir ao badalado
filme nacional Tropa de Elite. Resisti orgulhoso
à tentação da pirataria, uma
“inocente” contravenção
que causa prejuízos incalculáveis
a nossa economia e aos direitos autorais. Como autor
de livro, sei o que representa quando um “inocente”
aluno tira cópia ou disponibiliza os originais
na internet. Também como apaixonado por cinema,
sou daqueles que acham que nada substitui o prazer
de assistir o filme na telona, no ambiente mágico
de uma sala de projeção.
Primeiro o filme traz um retrato
nu e cru da nossa Tropa. A corrupção
que está presente dentro de parte da policia,
que eles chamam de banda podre. Claro que temos
policiais honestíssimos e no filme existem
belos exemplos. Também sabemos que a corrupção
está presente em todos os segmentos, embora
temos que concordar que na policia ela se torna
mais dramática pelo seu oficio de nos proteger
e onde temos contato, na maioria das vezes, nas
nossas horas de mais aflição e desespero.
Ninguém vai a uma delegacia matar o tempo
ou bater papo.
Em algumas cenas vemos como pode
a corrupção não ter limites,
como na cena que um sargento pede propina a um soldado
para marcar suas férias, ou em algumas cenas
tragicamente “hilárias”, quando
soldados ficam transferindo cadáveres de
uma área de um batalhão para outro,
como forma de driblar as estatísticas. A
velha tática de colocar o termômetro
na geladeira para esconder a febre.
Vemos também a ética
sob a ótica do capitão Nascimento,
magistralmente interpretado pelo ator baiano Wagner
Moura, difícil acreditar que ele não
era um policial de verdade. Wagner interpreta um
policial determinado, que acha que os fins justificam
os meios e tem a clara noção que bandido
é bandido. No filme, vemos as pessoas torcendo
por ele, transformando-o em herói, talvez
o retrato mais fiel da falta de confiança
das pessoas nas instituições. Um verdadeiro
justiceiro da lei, botando ordem no pedaço.
Agora talvez o maior mérito
do filme seja desmascarar a nossa Elite. Nele vemos
claramente que o maior vilão desta história
e muitas vezes um vilão oculto, é
a parte da nossa sociedade que consome drogas. Vocês
já pararam para pensar se os traficantes
não tivessem clientes? Aconteceria como em
qualquer negócio. Iriam à falência
levando consigo os policiais corruptos, vendedores
clandestinos de armas e os grandes traficantes que
estão no caso específico do Rio, muito
mais na Vieira Souto que nos morros. Levaria também
boa parte da violência que vitima a sociedade
hoje em dia. E ai reside a grande contradição
mostrada pelo filme. A sociedade é vítima
de algo causado por parte desta mesma sociedade.
A passagem do filme em que jovens, muitos deles
consumidores de drogas, fazem passeata pela paz
e contra a violência que eles próprios
sustentam, é genial. Ali o rei fica nu.
Mas definitivamente, o filme é
a cara do nosso País. Um Pais de decisões
mágicas e soluções imediatistas.
Que faz então surgir contra a TROPA e contra
a ELITE, uma tropa de elite, conduzida por um Salvador
da Pátria que vai nos libertar e nos conduzir
ao paraíso.
Que os tiros de tropa de elite,
acordem o Brasil e faça a gente entender
que só com investimento em educação,
deixaremos de ser um País de grades e milícias,
dividindo os que não comem e os que não
dormem com medo dos que não comem, como diz
um velho adágio popular.
Victoriano Garrido Filho
www.professorgarrido.com.br
7199640626